Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) desenvolveram um biossensor eletroquímico inovador capaz de identificar precocemente biomarcadores associados a doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. A tecnologia utiliza filamentos produzidos com auxílio de ferramentas computacionais e impressão 3D, permitindo a fabricação de sensores altamente sensíveis e de baixo custo para aplicações biomédicas.
O biossensor indica a presença de substâncias relacionadas às doenças investigadas e, futuramente, também poderá ser utilizado para diagnóstico precoce de câncer de pulmão, ampliando suas possibilidades de aplicação na área da saúde.
O desenvolvimento do dispositivo faz parte da tese de doutorado de Guilherme Sales da Rocha, no Programa de Engenharia Química da Coppe/UFRJ. O pesquisador é bolsista Doutorado Nota 10 da FAPERJ e realizou o trabalho sob orientação da professora Helen Conceição Ferraz, coordenadora do Laboratório de Engenharia dos Fenômenos Interfaciais (Labefit/UFRJ), com coorientação do professor João Victor Nicolini, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
O projeto também resulta de uma colaboração científica entre o Labefit/UFRJ e o Grupo de Materiais Nanoestruturados Funcionais para Aplicações Biotecnológicas (Nano&UFRRJ). Nos dois laboratórios são desenvolvidos os filamentos condutores utilizados na impressão 3D dos sensores e biossensores eletroquímicos, que posteriormente são aplicados em estudos de detecção de biomarcadores.
Os resultados da pesquisa foram publicados em janeiro na revista científica internacional Microchemical Journal, no artigo intitulado “Label-free 3D-printed electrochemical (bio)sensors for detection of biomarkers in neurodegenerative disorders”. O estudo contou ainda com a colaboração das pesquisadoras Iana Oliveira e Beatriz Bertin, da USP São Carlos, sob supervisão da professora Laís Canniatti Brazaca, do grupo BioMicS – Bioanalítica, Microfabricação e Separações.
A pesquisa busca identificar biomarcadores associados às doenças neurodegenerativas por meio de sensores impressos em 3D. Segundo Guilherme Rocha, os eletrodos são produzidos no laboratório com formato de pêndulo utilizando impressão 3D e compostos por grafite, ácido polilático (biopolímero) e óleo de rícino como plastificante. Após a fabricação, são realizados testes eletroquímicos e eletroanalíticos para identificar substâncias específicas associadas às doenças.
No caso da Doença de Parkinson, o biossensor detecta alterações nos níveis de dopamina, enquanto a Doença de Alzheimer pode ser investigada por meio da análise da proteína clusterina, associada à progressão da enfermidade. Os testes foram realizados tanto em amostras sintéticas quanto em soro humano comercial, demonstrando o potencial da tecnologia para aplicações biomédicas.
A professora Helen Ferraz destaca que o desenvolvimento da pesquisa é resultado de uma construção coletiva e da formação de redes de colaboração científica. Segundo ela, o laboratório possui mais de 20 anos de experiência em estudos voltados à detecção precoce de câncer de pulmão, e a proposta de aplicar biossensores eletroquímicos para doenças neurodegenerativas surgiu a partir do trabalho de doutorado de Guilherme, aliado à colaboração com pesquisadores de outras instituições e ao período de mobilidade acadêmica realizado na USP São Carlos.
Outro diferencial da tecnologia é o baixo custo de produção e a portabilidade dos sensores. De acordo com a pesquisadora, é possível imprimir um biossensor em aproximadamente três minutos, com custo estimado de apenas 13 centavos de real, o que abre perspectivas para ampliar o acesso a ferramentas de diagnóstico precoce.
Além desse trabalho, o grupo publicou recentemente outro estudo na revista Microchemical Journal, intitulado “Trends in Electrochemical Immunosensors for Lung Cancer Detection: A Bibliometric Review Analysis”. O artigo analisou 121 estudos científicos por meio de ferramentas de bibliometria para mapear o panorama atual das pesquisas sobre imunossensores eletroquímicos voltados à detecção precoce do câncer de pulmão, identificando avanços, lacunas de conhecimento e novas oportunidades de pesquisa.
Considerado um dos tipos de câncer mais comuns e letais no mundo, o câncer de pulmão frequentemente é diagnosticado em estágios avançados, quando as opções de tratamento são mais limitadas. Ao organizar e analisar o conhecimento existente, o estudo contribui para orientar novas pesquisas, estimular colaborações científicas e acelerar o desenvolvimento de métodos mais eficazes de diagnóstico precoce, com potencial impacto direto na sobrevivência dos pacientes.
Fonte: FAPERJ
O Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da UFRJ (código 31001017036P2), na modalidade Acadêmico, obteve Nota 7 na Avaliação Quadrienal 2025 da CAPES, consolidando-se como um dos programas de mais alto nível do país na área de Engenharias II. O resultado foi publicado oficialmente em 12 de janeiro de 2026 e reafirma a trajetória de excelência do Programa no sistema nacional de pós-graduação.
A nota 7 é o conceito máximo atribuído pela CAPES e é reservado apenas aos programas que demonstram desempenho equivalente aos melhores centros internacionais de pesquisa e formação acadêmica. O resultado alcançado pelo Programa de Engenharia Química da UFRJ reflete a solidez de seu projeto acadêmico, a qualidade da formação de mestres e doutores, a produção científica de alto impacto e a forte inserção nacional e internacional.
Na apreciação oficial, a comissão avaliadora destacou que o Programa de Engenharia Química da UFRJ constitui um programa de excelência no cenário nacional, sendo referência na área de Engenharias II. O parecer ressalta ainda que, ao longo de sua trajetória, o Programa tem consistentemente alcançado a nota máxima nas diferentes avaliações da CAPES, e que os resultados obtidos no último quadriênio confirmam, de forma unânime, a manutenção dessa posição de destaque.
Esse reconhecimento reforça o papel estratégico do Programa na formação de recursos humanos altamente qualificados, na geração de conhecimento científico e tecnológico e na contribuição para o desenvolvimento industrial, econômico e social do país. A Engenharia Química da UFRJ segue, assim, como uma referência nacional e internacional, fortalecendo a missão da Universidade de produzir ciência, inovação e impacto positivo para a sociedade brasileira.
O Programa de Engenharia Química da COPPE/UFRJ informa o Resultado Final do Processo Seletivo para as Bolsas de Doutorado Sanduíche no âmbito do Programa PDSE-CAPES, conforme Edital PEQ 08/2025.
Resultado Final AQUI
A Coppe/UFRJ deu mais um passo relevante no processo de internacionalização da produção científica e da formação avançada em engenharia. Durante o Fórum China-Brasil de Educação em Engenharia, realizado em 10 de dezembro, na Escola de Química da UFRJ, foi formalizado o credenciamento mútuo de docentes da Coppe e da China University of Petroleum (CUP-Beijing), consolidando uma cooperação acadêmica e científica estratégica entre os dois países.
Na ocasião, sete professores da Coppe foram oficialmente credenciados para atuar no Instituto China-Brasil de Engenheiros de Destaque, iniciativa que reforça o protagonismo da UFRJ na construção de parcerias internacionais de alto nível. Entre os destaques estão os professores Cristiano Borges e Papa Matar Ndiaye, ambos do Programa de Engenharia Química (PEQ/Coppe), cuja atuação tem sido central no fortalecimento dessa colaboração bilateral.
O Instituto China-Brasil de Engenheiros de Destaque, dirigido pelo professor Cristiano Borges, nasce como um centro de excelência voltado à formação de engenheiros altamente qualificados e à produção científica de ponta, reunindo esforços de pesquisadores brasileiros e chineses em áreas estratégicas para o desenvolvimento tecnológico e a transição energética. O evento também marcou o primeiro ano da cooperação formal entre a Coppe/UFRJ e a CUP-Beijing, consolidando o instituto como uma plataforma internacional de ensino e pesquisa.
A parceria concentra-se em temas como segurança energética, tecnologias de baixo carbono, bioenergia, inteligência artificial e engenharia oceânica, com mecanismos estruturantes que incluem laboratórios conjuntos, programas de dupla titulação, orientação acadêmica compartilhada e comitês mistos de avaliação. As instituições anunciaram ainda planos de expansão para novas áreas do conhecimento e o fortalecimento da cooperação universidade–indústria, envolvendo empresas dos setores de energia, biotecnologia e tecnologias oceânicas desde a concepção dos currículos.
Com projetos conjuntos em andamento, resultados iniciais de pesquisa e egressos já atuando em setores estratégicos, a iniciativa consolida-se como um modelo inovador de cooperação Sul–Sul, orientado para ciência, tecnologia e desenvolvimento sustentável. A parceria amplia oportunidades de mobilidade acadêmica, estimula a criação de novos laboratórios integrados e fortalece a presença da Coppe em redes globais de engenharia, reafirmando o papel da UFRJ na formação de profissionais preparados para enfrentar os desafios energéticos do século XXI.
Foram credenciados pela CUP-Beijing os seguintes professores da Coppe/UFRJ: Suzana Kahn Ribeiro (diretora da Coppe), Jean-David Caprace (diretor de Assuntos Acadêmicos da Coppe), Cristiano Borges (coordenador do Instituto China-Brasil de Engenheiros de Destaque), Papa Matar Ndiaye, Marcelo Igor Lourenço de Souza, Murilo Augusto Vaz e Su Jian.
Fonte: COPPE UFRJ
Duas pesquisadoras do Programa de Engenharia Química (PEQ) da Coppe/UFRJ se destacaram na mais recente edição do Concurso Coppe Explica, iniciativa voltada à divulgação científica por meio de vídeos curtos e acessíveis ao público.
No nível Mestrado, Gabriela Arcanjo conquistou o 3º lugar, apresentando sua pesquisa de forma didática e inovadora. Já no nível Doutorado/Pós-doutorado, Emiliane Pereira alcançou o 2º lugar, também com um vídeo que traduz de maneira clara a relevância de seu trabalho acadêmico.
Ambas as inscrições foram realizadas por meio de vídeos curtos explicando suas pesquisas materiais que, além de enriquecer a divulgação científica, aproximam a sociedade dos avanços produzidos dentro da universidade.
Acreditamos que será muito interessante compartilhar esses vídeos em nossos canais, reforçando o impacto e a excelência das pesquisas desenvolvidas no PEQ.
Fonte: Coppe/UFRJ